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  • marianobacellar

O DRAMA DAS PARTES PEQUENAS

Conforme notícias vindas dos Estados Unidos, um brinquedo que representa o mais novo personagem de Toy Story 4, o Garfinho (Forky), foi muito apreciado pelos fãs.

Consequentemente, o lançamento do brinquedo através das lojas parceiras da Disney foi um sucesso de vendas.

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Entretanto, a CPSC – Consumer Product Safety Commission – Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor – órgão do Governo dos Estados Unidos, considerou o brinquedo perigoso, ordenando um recall (recolhimento) imediato em todas as lojas, e devolução dos que já foram comprados, cerca de 100 mil exemplares.

Qual foi o motivo? Os olhinhos arregalados de plástico podem se soltar, constituindo o grande perigo de partes pequenas.

Mas, o que são partes pequenas?

Em todas as normas de segurança de brinquedos existentes no mundo, inclusive na norma NM 300-1 dos países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, partes pequenas são partes, peças ou componentes de brinquedos, ou pedaços que possam se originar de um brinquedo após simulação de uso e abuso por crianças, que caibam inteiramente num pequeno cilindro que simula a traqueia de uma criança.



As partes pequenas, que caibam inteiramente neste cilindro, são perigosas porque podem atravessar a traqueia da criança.

Podem ser engolidas, o que pode ser um mal menor.

Se não tiverem arestas para se firmar no tubo digestivo, serão eliminadas pelas fezes, graças a Deus!

Mas podem ficar presas, causando dor de barriga e inflamações.

No caso da aspiração, podem tomar caminhos imprevisíveis através dos brônquios, até chegarem a bronquíolos. Se a criança não for logo atendida, a inflamação resultante poderá originar uma pneumonia, que poderá ser fatal.



O grande problema para os médicos é localizar a parte pequena, com o objetivo de evitar intervenções cirúrgicas só para a localização, antes da providência da remoção.

Os plásticos são transparentes aos Raios X, o que dificulta esta localização. Existem fabricantes de brinquedos com grande preocupação a este respeito, e fazem algumas peças pequenas com plástico aditivado com material rádio-opaco, mesmo que sejam componentes não destinados a crianças menores de três anos de idade.

Como se pode prevenir, da melhor maneira possível, a ocorrência deste grave problema?

Em primeiro lugar, as normas de segurança de brinquedos obrigam à colocação de um símbolo nas embalagens, informando a presença das partes pequenas:

“ NÃO RECOMENDÁVEL PARA MENORES DE TRÊS ANOS POR CONTER PARTES PEQUENAS QUE PODEM SER ENGOLIDAS OU ASPIRADAS”



Esta marcação é dirigida às crianças de menos de três anos de idade porque se considera terminada a fase oral do desenvolvimento infantil, período em que a criança põe tudo na boca como maneira de conhecer seu ambiente.

Precisamos saber a que faixa etária se destina o brinquedo, porque se o produto não atende aos requisitos de brinquedos para uma determinada faixa, ele estará reprovado, não poderá ser comercializado.

Alguns brinquedos são obviamente destinados para a primeira infância, como chocalhos, por exemplo. Nenhum chocalho poderá ser considerado não adequado para menores de 3 anos.

Mas quando se trata de brinquedos para o desenvolvimento afetivo, de acordo com a norma ABNT ISO/TR 8124-8 (aliás, uma norma internacional que foi concebida e gerada no Brasil, dentro do INNAC), temos:


na subcategoria 5.02 : bonecos, personagens imagináveis zoomorfos, sem componentes que possam ser arrancados – bonecos que representam figuras de ficção, heróis e guerreiros com formas de animais, ou outros seres com aparência humana: idade inicial 9 m+, que quer dizer: a partir de 9 meses de idade.


Na subcategoria 5.15: miniaturas de figuras simples – animais, soldadinhos, bichos de zoológico, super-heróis, personagens de fantasia ou de temas históricos (cujas dimensões respeitem o gabarito de partes pequenas) : idade inicial 2+, que quer dizer:a partir de 2 anos de idade.


Muito provavelmente foi este o raciocínio da CPSC com relação ao brinquedo Garfinho, consequentemente considerou como produto não-conforme, que deveria ser imediatamente retirado do mercado.

Mas precisamos considerar que mesmo que o brinquedo não se destine a menores de três anos existe a possibilidade de brincadeiras com participação de crianças de idades diferentes, sejam irmãos, colegas ou amigos.

Assim sendo, esta marcação 0-3 é obrigatória para brinquedos que possam ser usados por crianças de até 8 anos (96 meses).

Mas sempre devemos insistir num ponto: as crianças devem ser supervisionadas por um adulto, durante suas brincadeiras, porque não têm noção de perigo.

Ao adquirir brinquedos, devemos nos preocupar com a faixa etária recomendada, e as advertências quanto à faixa etária proibida.

A certificação de brinquedos pelo INNAC, conforme a regulamentação em vigor, dá segurança ao consumidor. Confie sempre na marca do INNAC.

Mariano Bacellar Netto Engenheiro Especialista

INNAC – INSTITUTO NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE EM PRODUTOS

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